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| JOGOS OLÍMPICOS DE SEUL -1988 |
A Maratona mais difícil; A vitória mais saborosa |
| A opinião pública portuguesa "exigia" o
ouro a Rosa Mota. Depois dos passeios nos Europeus e nos
Mundiais, contava-se com mais uma grande vitória. Desta
vez o desenrolar da prova foi diferente: a australiana
Lisa Martin e a alemã Katrin Doerre ( 16 maratonas/ 13
vitórias) não descolavam de Rosa Mota, seguiam-na como
uma sombra. Lisa Martin foi a primeira a sair do estádio, logo seguida de Rosa Mota que nunca abandonou uma das três primeiras posições. Nos primeiros quilómetros seguiam na frente todas as favoritas, inclusivé a "histórica" Greta Waitz, que aos 35 anos, encerrava aqui a sua impressionante carreira. Aos 18 Km, eram já só 12 as atletas da frente. Pouco depois Greta Waitz também desapareceria e aos 20 Km restavam apenas cinco atletas no comando da prova: Rosa Mota, Lisa Martin, Kathrin Doerre e as soviéticas Polovinskaya e Smekhnova, esta última cederia pouco depois. Foi nos sete quilómetros finais que tudo se decidiu. Aos 37 Km a soviética PolvinsKaya ficou para trás. Aos 38 Km, aproveitando uma descida e na sequência de uma recomendação de José Pedrosa, que ali estava, Rosa Mota atacou ("Rosa, é agora ou nunca"). Rapidamente ganhou terreno e a certeza de que seria a vencedora. Depois foi a caminhada sotária até à meta. Uma caminhada não isenta de dificuldades bem expressas no seu rosto. Foi a vitória mais difícil mas também a mais saborosa. |
| Tempo por légua | Rosa Mota preparou esta prova com todo o cuidado, ninguém sabia ao certo a data de chegada da atleta a Seul. As informações que chegavam do Colorado, onde Rosa preparou esta corrida, eram as melhores. Os treinos cronometrados da atleta eram de grande nível, os melhores de sempre. Os planos de viagem para Seul foram preparados ao promenor, de modo que a atleta passasse o menos tempo possível a bordo do avião. A televisão sul-coreana transmitiu durante meia hora um programa que documentava o dia-a-dia da Rosa na cidade do Porto. Foi um sucesso. Já em Seul, Rosa teve como companheiro de um dos treinos o campeão olímpico Carlos Lopes. Desta vez Rosa ficou instalada na aldeia olímpica ode foi bombardeada com pedidos de entrevistas, não só de jornalistas portugueses mas também dos estrangeiros. José Pedrosa sentiu que tinha que tomar uma atitude e dois dias antes da maratona pôs a atleta ao abrigo dessa confusão, no silêncio possível. | |||
| 0-5 Km | 17.10 | |||
| 5-10 Km | 17.04 | |||
| 10-15 Km | 17.16 | |||
| 15-20 Km | 17.20 | |||
| 20-25 Km | 17.05 | |||
| 25-30 Km | 17.18 | |||
| 30-35 Km | 17.47 | |||
| 35-40 Km | 17.08 | |||
| 40-Final | 7.32 |
| A responsabilidade era enorme porque as expectativas
eram muito altas. Na véspera da prova a Rosa foi
recebida pelo embaixador português que lhe entregou um
ramo de rosas ("rosas para a nossa Rosa").
O ministro da Educação e Desporto (Roberto Carneiro)
também se deslocou a Seul. No dia da prova Pedrosa recapitulou os conselhos " Tens que sofrer e não te admires se até aos 30 Km o grupo das pricipais adversárias estiver junto, não te assustes com isso." Pedrosa tinha estado em Seul um mês antes para reconhecer o percurso, acompanhou toda a prova num carro da televisão sul-coreana. Aos 38 Km disse disse à atleta para atacar: " A Rosa sobe e desce bem. Aquele era o único momento em que podia arriscar. Era aí ou nunca". |
| Jogos
Olímpicos de Seul- 1988 1ª Rosa Mota(Por)...........2.25.39 2ª Lisa Martin(Aus)...........2.25.53 3ª Kathrin Doerre(RDA)...2.26.21 |
" O Pedrosa tinha-me recomendado que, aos 38 quilómetros , se ainda fosse acompanhada, olhasse para ele. Olhei e ele disse-me - Rosa, é agora ou nunca - e eu fui-me embora... Foi mais difícil do que em Roma, os maratonistas gostam de dizer que a última maratona é sempre a melhor, mas esta...arre, parecia que nunca mais chegava o dia" |